Metodologia

Como calculamos, o que assumimos e onde o método tem limites

Este documento é a referência para imprensa, entidades e cidadãos que queiram reproduzir ou contestar os números do Impostômetro Maringá. Cada parâmetro tem fonte pública e data de consulta.

1. Resumo

  • Arrecadação nacional em tempo real: painel do Impostômetro (ACSP/IBPT). Usamos os marcos que ele publica e interpolamos entre eles.
  • Parte de Maringá: participação da cidade no PIB do Brasil, 0,2542% em 2023 (IBGE/IPARDES). Hipótese: carga tributária proporcional à atividade econômica.
  • Retorno: o que entra no orçamento da Prefeitura, pelo SICONFI: 30,4% do gerado em 2025. Gastos diretos da União e do Estado na cidade ficam fora.
  • Verificação cruzada: a série oficial do Tesouro (carga tributária bruta) fica dentro de 4% do Impostômetro nos últimos anos.
  • Valores nominais, sem correção pela inflação. Toda estimativa tem margem de erro; documentamos a ordem de grandeza dela em cada passo.

2. O que o Impostômetro mede

O Impostômetro é um painel mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Ele estima, em tempo real, o total de tributos (impostos, taxas e contribuições, incluindo multas, juros e correção) pagos pelos brasileiros às três esferas de governo desde 1º de janeiro. É uma estimativa construída sobre as arrecadações divulgadas pela Receita Federal, pelos estados e pelos municípios, projetada dia a dia; não é uma estatística oficial, mas é a única fonte nacional com atualização contínua, e por isso é a base do contador.

A estatística oficial mais próxima é a Carga Tributária Bruta do Governo Geral, publicada pelo Tesouro Nacional em metodologia internacional (GFSM 2014, sem FGTS e Sistema S). Ela sai uma vez por ano, com defasagem, e serve aqui como verificação cruzada:

AnoImpostômetro (fechamento)Tesouro (carga bruta)Diferença% do PIB (Tesouro)
2023R$ 3,06 tri*R$ 3,31 tri-7,6%30,26%
2024R$ 3,60 triR$ 3,79 tri-5,1%32,22%
2025R$ 3,98 triR$ 4,13 tri-3,6%32,40%

* fechamento divulgado de forma aproximada pela ACSP. As duas séries têm escopos diferentes (o Impostômetro inclui multas e juros; o Tesouro segue o padrão do FMI), o que explica a diferença de poucos por cento.

Conclusão: o Impostômetro superestima ou subestima a carga oficial em poucos por cento, dependendo do ano. Para o contador, isso é uma incerteza da ordem de 3% a 4% no nível, que não afeta o ritmo relativo nem as comparações ano a ano feitas com a mesma fonte.

3. A parte de Maringá

Não existe estatística oficial de "tributos gerados em um município" que some as três esferas. A Receita Federal divulga arrecadação federal por município apenas de forma agregada e defasada; o Estado divulga o ICMS por município de origem; a Prefeitura divulga só os tributos próprios. Para somar tudo de forma comparável ano a ano, usamos o método padrão de rateio pela atividade econômica:

Tributos gerados em Maringá = Arrecadação nacional × (PIB de Maringá ÷ PIB do Brasil)

O PIB municipal é calculado pelo IBGE em parceria com o IPARDES e sai com dois anos de defasagem. O último disponível é 2023: R$ 27,82 bi, 5º PIB do Paraná e 53º do Brasil, contra R$ 10,94 tri do país. Anos posteriores usam a participação de 2023 até o IBGE divulgar o próximo PIB municipal.

AnoPIB MaringáCrescimento nominalPIB BrasilParticipação
2010R$ 8,55 biR$ 3,89 tri0,2202%
2011R$ 9,86 bi+15,3%R$ 4,38 tri0,2253%
2012R$ 11,39 bi+15,5%R$ 4,81 tri0,2366%
2013R$ 13,79 bi+21,1%R$ 5,33 tri0,2587%
2014R$ 14,57 bi+5,6%R$ 5,78 tri0,2521%
2015R$ 15,46 bi+6,1%R$ 6,00 tri0,2578%
2016R$ 16,09 bi+4,1%R$ 6,27 tri0,2567%
2017R$ 16,91 bi+5,1%R$ 6,59 tri0,2568%
2018R$ 18,53 bi+9,6%R$ 7,00 tri0,2646%
2019R$ 19,31 bi+4,2%R$ 7,39 tri0,2613%
2020R$ 19,99 bi+3,5%R$ 7,61 tri0,2627%
2021R$ 22,66 bi+13,3%R$ 9,01 tri0,2514%
2022R$ 26,67 bi+17,7%R$ 10,08 tri0,2646%
2023R$ 27,82 bi+4,3%R$ 10,94 tri0,2542%

Por que não há 2024 e 2025: o IBGE calcula o PIB dos municípios com dois anos de defasagem, porque depende das contas regionais e de registros administrativos consolidados. O PIB de 2024 sai em dezembro de 2026 e o de 2025 em dezembro de 2027. Até lá, os anos sem PIB municipal usam a participação de 2023. Crescimento nominal, sem descontar a inflação.

Hipóteses e limites

  • Carga proporcional ao PIB. Assumimos que a carga tributária efetiva em Maringá é igual à média nacional (32,4% do PIB em 2025). Cidades com mais serviços e comércio, como Maringá, tendem a ter carga por real de PIB diferente da de cidades industriais ou extrativas; não há dado municipal para corrigir isso.
  • Incidência versus local de arrecadação. Parte dos tributos pagos por quem vive em Maringá é recolhida em outro lugar (IR retido pela matriz de uma empresa em São Paulo, ICMS de origem, IPI na fábrica), e o contrário também acontece. O rateio pelo PIB mede a atividade que gera a base tributária, não o caixa onde o tributo é pago.
  • Defasagem. O PIB municipal de 2023 é aplicado a 2026. Nos últimos cinco anos com dado, a participação de Maringá variou entre 0,2514% e 0,2646%: usar o extremo em vez do último ano mudaria o contador em cerca de 4,1%.

4. Como o contador anda em tempo real

O painel do Impostômetro não publica uma taxa por segundo, mas divulga quando cruza marcos redondos, com data e hora. O contador interpola linearmente entre os marcos do ano e, depois do último marco, mantém o ritmo do trecho final. Quando a ACSP publica um novo marco, ele é incorporado e o contador se realinha. Marcos incorporados até 11/08/2026:

Marco de 2026Instante (Brasília)Fonte
R$ 1,00 tri27/03/2026, 12:17ACSP (CNN Brasil, 26/03/2026)
R$ 2,00 tri27/06/2026, 09:09ACSP, 24/06/2026
R$ 2,50 tri11/08/2026, 12:00 (hora não divulgada)ACSP (Diário do Poder, 10/08/2026)

Marco de 2025Instante (Brasília)Fonte
R$ 1,00 tri30/03/2025, 12:00 (hora não divulgada)ACSP (citado pela CNN Brasil em 26/03/2026)
R$ 2,00 tri03/07/2025, 12:00 (hora não divulgada)ACSP, 24/06/2026
R$ 2,50 tri20/08/2025, 10:00ACSP (Times Brasil, 20/08/2025)
R$ 3,98 tri31/12/2025, 23:59ACSP, 29/12/2025 (fechamento)

Projeção do ano. Multiplicamos o fechamento de 2025 pelo crescimento observado até agora sobre o mesmo ponto do calendário: R$ 10,12 bi × (1 + 3,7%) = R$ 10,49 bi em Maringá (R$ 4,13 tri no Brasil). Esse método preserva a sazonalidade do ano anterior, em que dezembro pesa mais. A extrapolação linear do último trecho, usada só para o contador andar entre os marcos, daria R$ 10,37 bi e serve de piso, porque ignora a sazonalidade. O erro da projeção cai a cada marco incorporado e desaparece no fechamento.

Velocidade. O ritmo "de agora" é o do trecho entre os dois últimos marcos publicados. Para compará-lo com o ano anterior, usamos as mesmas datas do calendário (do último marco até hoje, um ano antes), e não o trecho de marcos que contém a data no ano anterior: esse trecho pode ser longo e incluir meses de sazonalidade diferente, como dezembro, o que distorceria a comparação.

Relógio. O valor é uma função da hora. Para não depender do relógio do aparelho do visitante, a página lê a hora do servidor (cabeçalho Date da resposta HTTP) ao carregar, ao voltar de segundo plano e a cada 15 minutos, e corrige a diferença. Todos os números da página derivam desse mesmo instante, por isso nunca ficam dessincronizados entre si.

Estado atual: último marco há 24 dias. Acima de 60 dias o site exibe um aviso no contador.

5. O que conta como retorno

Definimos retorno como o que entra no orçamento da Prefeitura de Maringá: tributos próprios (ISS, IPTU, ITBI, IRRF dos servidores, taxas e contribuição de iluminação) e transferências recebidas (FPM, cotas de ICMS e IPVA, repasses do SUS, FUNDEB, FNDE e convênios). Excluímos operações de crédito (empréstimos não são tributos) e receitas intraorçamentárias (movimentação interna). A fonte é a execução orçamentária publicada no SICONFI, do Tesouro Nacional:

AnoReceita realizadaSem empréstimos e intraTributos gerados (Impostômetro)Retorno
2018R$ 1,63 biR$ 1,59 biR$ 6,32 bi25,2%
2019R$ 1,67 biR$ 1,67 biR$ 6,55 bi25,5%
2020R$ 1,86 biR$ 1,86 biR$ 5,41 bi34,4%
2021R$ 1,99 biR$ 1,99 biR$ 6,52 bi30,5%
2022R$ 2,34 biR$ 2,34 biR$ 7,65 bi30,6%
2023R$ 2,73 biR$ 2,73 biR$ 7,77 bi35,2%
2024R$ 3,09 biR$ 2,85 biR$ 9,15 bi31,2%
2025R$ 3,35 biR$ 3,07 biR$ 10,12 bi30,4%

Orçamento (LOA) de 2026: R$ 3,58 bi (Lei Municipal 12.100/2025). O contador usa a proporção de 2025, último ano com execução completa.

Composição da receita em 2025

RubricaValor% do gerado na cidade
ISS (Imposto sobre serviços)R$ 536,34 mi5,30%
IPTU (Imposto predial e territorial urbano)R$ 348,74 mi3,45%
ITBI (Imposto sobre transmissão de imóveis)R$ 126,86 mi1,25%
IRRF (IR retido na fonte dos servidores municipais)R$ 133,99 mi1,32%
Taxas e COSIP (Taxas municipais e contribuição de iluminação pública)R$ 144,55 mi1,43%
SUS (União) (Repasses fundo a fundo para a saúde)R$ 403,63 mi3,99%
FPM (Fundo de Participação dos Municípios (bruto))R$ 177,40 mi1,75%
FNDE e outros (União) (Salário-educação, PNAE, PNATE, FUNDEB complementação)R$ 38,75 mi0,38%
ICMS (cota-parte) (Parcela do ICMS estadual devida ao município (bruta))R$ 276,93 mi2,74%
IPVA (cota-parte) (Metade do IPVA dos veículos de Maringá (bruta))R$ 204,74 mi2,02%
SUS e outros (Estado) (Repasses estaduais para saúde, IPI-exportação e outros)R$ 62,36 mi0,62%
FUNDEB (Fundo da educação básica recebido)R$ 266,69 mi2,64%

Valores brutos do DCA Anexo I-C. FPM, ICMS e IPVA sofrem retenção de 20% para o FUNDEB, que volta na linha FUNDEB.

O que fica de fora, e por quê

A União e o Estado gastam diretamente em Maringá sem passar pelo orçamento municipal: aposentadorias, pensões e benefícios do INSS pagos a moradores; a Universidade Estadual de Maringá e o Hospital Universitário; folhas de servidores federais e estaduais (Justiça, polícias, universidades, agências); Bolsa Família e outros programas; rodovias e obras. Esses gastos são retorno real para a economia da cidade, mas não são "retorno ao município" no sentido orçamentário, que é o que conseguimos medir com fonte oficial. Por isso o site diz que a parcela restante fica com a União e o Estado, e não que é "perdida". Incluir uma estimativa dos gastos diretos é uma melhoria desejável, que depende de dados por município do INSS e dos Tesouros federal e estadual.

6. Por habitante e comparações

  • Por habitante: total dividido pela população estimada pelo IBGE para 1º de julho de 2026 (432.635). É uma média aritmética; a carga individual real depende de renda e consumo e é regressiva: proporcionalmente, quem ganha menos paga mais em tributos sobre consumo.
  • Dias de trabalho e parcela da renda: estudo anual do IBPT (2026: 150 dias, 41,10% da renda média, até 30/05/2026). É uma média nacional.
  • Salário mínimo: R$ 1.621 em 2026, por decreto federal.
  • Gasolina: preço médio da gasolina comum em Maringá no levantamento semanal da ANP (R$ 6,94/litro, semana de 23 a 29/08/2026).
  • Carro popular: modelo 0 km mais barato do país, preço público da fabricante em 04/09/2026 (R$ 78,7 mil).

7. Equivalências: o que o dinheiro compraria

Para dar dimensão ao valor, o site o traduz em obras, serviços e salários (escala da cidade) e em despesas mensais de uma família. O objetivo é declaradamente de conscientização: mostrar o tamanho da carga em coisas concretas. As quantidades acompanham o contador em tempo real (acumulado do ano ou ano inteiro projetado; tudo o que é gerado ou só a parcela que fica com a União e o Estado). O que é fixo é o custo unitário de referência, com fonte pública ou de mercado e data, revisado uma vez por ano. São ordens de grandeza, não orçamentos: uma obra real tem terreno, projeto e custeio que a referência não captura.

Item (escala da cidade)Custo de referênciaFonte e data
Unidades Básicas de Saúde (UBS porte III, como a do Jardim São Clemente (790 m²))R$ 3,15 mi por unidadePrefeitura de Maringá e tabela do Novo PAC Saúde, jul/2026
Creches municipais (CMEI) (CMEI de 375 vagas, como o do Jardim Monte Rei (3.000 m²))R$ 13,30 mi por unidadePrefeitura de Maringá (O Maringá), dez/2025
km de recapeamento asfáltico (custo médio por km do programa de recape de 2026)R$ 457,00 mil por kmSeinfra Maringá (Maringá Mais), mai/2026
Ambulâncias do SAMU (unidade de suporte básico equipada)R$ 323,04 mil por unidadePregão 90.105/2025 do Ministério da Saúde, ago/2026
Ônibus urbanos novos (Euro 6, ar-condicionado e elevador para cadeirantes)R$ 900,00 mil por unidadeCompra de Uberlândia (Diário do Transporte), ago/2026
Salários anuais de professor (piso nacional do magistério 2026, 40 h, 13,33 salários, sem encargos)R$ 68,41 mil por anoPiso nacional 2026 (Senado), jan/2026
Vagas em creche por um ano (valor aluno-ano do FUNDEB para creche pública integral no Paraná)R$ 10,60 mil por vaga/anoFUNDEB 2026, Portaria MEC/MF 14/2025, dez/2025
Casas do Minha Casa Minha Vida (teto das faixas 1 e 2 para cidades do porte de Maringá)R$ 270,00 mil por unidadeConselho Curador do FGTS (Agência Brasil), nov/2025
Carros 0 km (Renault Kwid, o modelo mais barato do país)R$ 78,69 mil por unidadePreço público da Renault, 04/09/2026
Consultas médicas particulares (clínico geral, preço médio de mercado)R$ 250,00 por consultaAtend Já e CrowdCare, 2026

Item (escala da família)Custo de referênciaFonte e data
de cesta básica (cesta básica em Curitiba (Maringá não tem pesquisa própria))R$ 807,93 mesesDIEESE, jul/2026, ago/2026
de plano de saúde (individual, enfermaria, adulto de 34 a 38 anos)R$ 670,00 mesesTabela estimada Unimed 2026 (Lifebis), jan/2026
de escola particular (mensalidade média do ensino fundamental em Maringá)R$ 1.264,00 mesesSchoolAdvisor, 2026
de aluguel (apartamento de 2 quartos, padrão médio, em Maringá)R$ 1.850,00 mesesImobiliária Ikapuy, mai/2026
de conta de luz (217 kWh/mês, tarifa da Copel com tributos)R$ 220,00 mesesCopel/ANEEL (Gazeta do Povo), jun/2026

8. Corrupção e transparência: o que estimamos e o que medimos

Corrupção é uma indignação que atravessa partidos, e o site a trata como trata tudo o mais: com estimativa declarada, fonte e limite. A cifra-âncora é a do relatório da FIESP/DECOMTEC de 2010, a única estimativa brasileira sistemática que localizamos com documento: custo médio anual da corrupção para a economia entre 1,38% e 2,3% do PIB (R$ 41,5 bi a R$ 69,1 bi em valores de 2008). Aplicamos esses percentuais ao PIB de Maringá de 2023 (R$ 27,8 bi), distribuídos ao longo do ano, o que dá entre R$ 383,88 mi e R$ 639,80 mi por ano.

Limites, ditos com todas as letras

  • É custo à economia, não dinheiro desviado. O estudo da FIESP estima a perda de produto por controle deficiente da corrupção, o que inclui investimento que deixa de acontecer. Não é o valor subtraído do caixa público.
  • É nacional, aplicada proporcionalmente. Não há medição de corrupção por município. Nenhum caso local é imputado; a transparência da Prefeitura de Maringá está entre as melhores do Paraná (ITP 2025 do TCE-PR: 94,45%, selo Ouro), e transparência é o que permite fiscalizar.
  • É de 2010, em percentual. Usar a proporção do PIB, e não o valor em reais de 2008, é o que mantém a estimativa aplicável; ainda assim é antiga, e se surgir estudo mais recente com metodologia publicada ele substituirá este.
  • O que não usamos. "R$ 200 bilhões por ano", frequentemente atribuídos à ONU, vêm de uma declaração de 2015 sem documento localizável; "8% do PIB" do IBPT não bate com o valor em reais do mesmo texto. Ficaram de fora.

Ao lado da estimativa, o site mostra o que se mede de fato: o Índice de Percepção da Corrupção (Transparência Internacional), as condenações do TCU, os valores recuperados pela CGU em acordos de leniência e um estudo acadêmico de 2025 com coautoria da UEM sobre perdas nas cadeias produtivas, cada um com o que mede e a fonte.

Transparência da Prefeitura: o que o índice mede

A seção "Orgulho verificável" mostra o Índice de Transparência da Administração Pública (ITP), do TCE-PR, que avalia se o portal da Prefeitura publica o que a legislação exige (orçamento, licitações, contratos, folha, receitas) de forma acessível e atualizada. Maringá teve 94,45% em 2025 (selo Ouro), contra média de 79,83% das prefeituras do Paraná, e selo Diamante ou Ouro em todas as edições desde 2019. Os percentuais foram conferidos no relatório do TCE-PR; as posições no ranking vêm da imprensa e estão marcadas como tal. O índice mede transparência ativa: não mede corrupção nem qualidade do gasto, e o site não o usa para nenhuma dessas conclusões.

EdiçãoITPSelo
201985,37%Ouro
202087,63%Ouro
202194,72%Ouro
2022100,00%Diamante
202395,03%Diamante
202498,41%Diamante
202594,45%Ouro

9. Manchetes para a imprensa

A sala de imprensa da página inicial e o boletim em PDF trazem manchetes sugeridas, cada uma com uma frase de apoio e a fonte. Elas são geradas por regras fixas a partir do mesmo retrato do instante que alimenta o contador: um molde de frase para cada fato (recorde recente, próximo recorde, acumulado, comparação com o ano anterior, projeção, ritmo, valor por habitante e por família, retorno ao orçamento municipal, equivalências, estudo do IBPT), preenchido com os números do momento. Não há texto gerado por inteligência artificial nem redação humana ao vivo: se o número muda, a manchete muda junto, e a frase de apoio diz de onde o número veio.

O boletim em PDF registra data e hora (horário de Brasília) e reúne manchetes, números-chave, distribuição, recordes, equivalências, histórico, método e fontes. O arquivo CSV traz os mesmos números em formato de planilha (separador ";", vírgula decimal), com a série histórica completa. Ao citar, use a frase sugerida em "Como citar"; ao comparar anos, lembre que os valores são nominais.

10. Recordes

Um "recorde" é registrado quando o acumulado do ano corrente ultrapassa o total de um ano inteiro anterior, todos calculados com a mesma fonte (fechamento do Impostômetro × participação de Maringá no ano). São comparações nominais: como a inflação faz a arrecadação em reais crescer quase todo ano, superar anos antigos é esperado; o dado informativo é a data em que isso acontece e como ela avança de um ano para o outro. Datas futuras assumem o ritmo do último trecho calibrado. Anos sem fechamento oficial entram com o total projetado, marcados como tal.

11. Virada de ano e manutenção

O site é perene: o ano fiscal vem da data atual, em horário de Brasília. Em 1º de janeiro o contador zera sozinho, o ano que terminou passa a ser o "ano anterior" das comparações e entra na lista de recordes (com total projetado até a ACSP divulgar o fechamento), e cada parâmetro é buscado pelo ano, com fallback para o último valor conhecido. Enquanto o novo ano não tem marcos publicados, o contador segue uma projeção de 10,56% sobre o ano anterior (o crescimento observado entre os dois últimos fechamentos) e exibe um aviso.

Rotina de manutenção, com os arquivos onde cada dado mora (roteiro completo em MANUTENCAO.md, no repositório):

  • Quando a ACSP publicar um marco (R$ 1 tri, R$ 2 tri…), em geral a cada dois ou três meses: incluir data, hora e valor em arrecadacao-nacional.ts.
  • Todo mês, após a divulgação do IBGE: índice IPCA do mês e acumulado em 12 meses (ipca.ts, parametros.ts).
  • Em janeiro: fechamento do ano no Impostômetro; salário mínimo; orçamento (LOA) do ano; IPCA de dezembro.
  • Em fevereiro: Índice de Percepção da Corrupção. Em março: receita realizada da Prefeitura no SICONFI e PIB do Brasil. Em abril: carga tributária bruta do Tesouro.
  • Em maio ou junho: estudo do IBPT. No fim de agosto: estimativa de população do IBGE.
  • Em dezembro: PIB dos Municípios do IBGE/IPARDES (dois anos de defasagem) e Índice de Transparência do TCE-PR.
  • Uma vez por ano: custos das equivalências, preço do carro popular, indicadores de corrupção sem periodicidade fixa e reabertura de todos os links das fontes; a gasolina, a cada três ou quatro meses.

A validade de cada dado é conferida automaticamente: um script no repositório (npm run validade) sabe quando cada item vence e roda nos dias 1 e 15 de cada mês; se algo estiver vencido, abre um aviso para quem mantém o site. Além disso, o próprio contador exibe um aviso quando passam 60 dias sem marco novo. Toda atualização é registrada no histórico de alterações abaixo.

12. Revisão econômica conceitual

Pontos que revisamos ao construir esta versão, e como cada um aparece no site:

  • Tributos, não só impostos. "Impostômetro" é o nome do painel, mas o que ele soma são tributos: impostos, taxas e contribuições (INSS, PIS/Cofins, CSLL). Por isso o site fala em "tributos gerados".
  • Carga bruta versus líquida. A carga tributária bruta soma tudo que é arrecadado. A carga líquida desconta transferências de volta às famílias (aposentadorias, benefícios). O contador mede a bruta, que é o que o Impostômetro estima; a discussão do retorno é onde a diferença entre as duas aparece.
  • Federalismo fiscal. A Constituição concentra a arrecadação na União e redistribui por fundos (FPM, FPE) e cotas (ICMS, IPVA) com critérios que não seguem a origem do tributo. Medir o retorno pelo orçamento municipal é a forma auditável de mostrar esse desenho; ele não diz, sozinho, se o desenho é justo.
  • "Perdido" não é um conceito econômico. A parcela que não entra no orçamento municipal financia bens públicos nacionais e estaduais, parte deles em Maringá. Trocamos o vocabulário de perda pelo de destino.
  • Valores nominais e reais. Comparações entre anos em reais correntes misturam crescimento real e inflação. Por isso a série histórica tem a opção "em reais de jul/2026", que multiplica cada ano pelo índice IPCA de jul/2026 dividido pelo índice de dezembro daquele ano (IBGE, Sidra 1737), e o comparativo mostra a variação real descontado o IPCA acumulado em 12 meses. É uma aproximação: um valor anual é um fluxo ao longo do ano, e o índice de dezembro o converte como se fosse todo de dezembro.
  • Origem versus incidência. Tributos sobre consumo são pagos, em última instância, por quem consome, onde quer que a empresa recolha. O rateio pelo PIB aproxima a base econômica, não o caixa; é a hipótese mais neutra disponível sem microdados.
  • Uma fonte por número. Cada valor exibido tem uma única fonte, citada com data. Onde a fonte é uma estimativa (Impostômetro, IBPT), o site diz que é estimativa.

13. Críticas comuns e respostas

As objeções mais prováveis a este site, e o que respondemos a cada uma. Se a sua não está aqui, a metodologia acima tem os números para você mesmo testar.

"Esse número é real ou é chute?"

É uma estimativa com método declarado, não uma medição: a única fonte nacional em tempo real (o Impostômetro) multiplicada pela participação de Maringá no PIB do Brasil. Não existe estatística oficial que some os tributos das três esferas por município; se existisse, usaríamos. A verificação cruzada com a série oficial do Tesouro fica dentro de poucos por cento, e a sensibilidade à hipótese da participação é de cerca de 4,1%.

"Por que não usar a arrecadação da Receita Federal por município?"

A Receita divulga a arrecadação federal por município com defasagem e pelo domicílio fiscal de quem recolhe (a matriz da empresa), não pelo lugar onde a atividade acontece; o Estado divulga o ICMS; a Prefeitura, os tributos próprios. Somar bases tão diferentes não é comparável ano a ano. O rateio pela atividade econômica (PIB) é o método padrão para estimar carga tributária por território.

"Dizer que 70% 'ficam com a União e o Estado' engana: esse dinheiro volta em INSS, universidade, rodovias."

Parte volta, e o site diz isso em todas as seções onde o número aparece. Por isso não usamos a palavra "perdido" e medimos o que dá para medir com fonte oficial: o que entra no orçamento da Prefeitura, pelo SICONFI. Uma estimativa do gasto direto federal e estadual na cidade é a melhoria que mais desejamos; depende de dados por município do INSS e dos Tesouros.

"Crescer 3,7% é cair em termos reais, com inflação de 4,4%."

Correto, e o site mostra os dois números lado a lado: a variação nominal e a variação real descontado o IPCA acumulado em 12 meses (4,44% em jul/2026, IBGE). A série histórica tem a opção "em reais de hoje". Todos os valores em reais são nominais, e cada seção diz isso.

"O Impostômetro é de uma associação empresarial; tem viés."

A ACSP é uma entidade empresarial, e o Impostômetro é uma estimativa dela com o IBPT. Por isso confrontamos a série com a estatística oficial do Tesouro todo ano e publicamos a diferença. Para o ritmo em tempo real não há alternativa oficial; se surgir, ela passa a ser a fonte.

"A projeção muda toda hora."

Muda a cada marco publicado, e diz qual é o método: fechamento do ano anterior vezes o crescimento observado até o momento. A tabela de marcos mostra quantos dias cada um antecipou o ano anterior, que é um dado mais robusto do que a projeção.

"A participação de Maringá é de 2023; está velha."

É a última divulgada pelo IBGE, que publica o PIB municipal com dois anos de defasagem. Nos últimos cinco anos com dado, ela variou entre 0,2514% e 0,2646%. Quando o próximo PIB sair, o site passa a usá-lo automaticamente.

"As equivalências são propaganda; uma creche não custa isso."

Cada custo é de uma obra recente da própria Prefeitura, de uma tabela federal, de um instituto de pesquisa ou de um preço de mercado, com fonte, tipo de fonte e data ao lado do número. São ordens de grandeza; o CSV permite trocar a referência por outra e refazer a conta.

"Cada maringaense pagou R$ 16.270? Eu não paguei isso."

É a média aritmética do total pela população, e a maior parte dos tributos brasileiros está embutida nos preços (ICMS, PIS, Cofins, IPI) ou é recolhida por empresas em nome de todos. Quem ganha menos paga proporcionalmente mais em consumo; quem ganha mais paga mais em valor absoluto. O IBPT estima que 41,1% da renda média vai para tributos.

"Vocês estão acusando a Prefeitura de corrupção?"

Não. A seção sobre corrupção aplica uma estimativa nacional (FIESP, em percentual do PIB) à economia da cidade e diz isso em cada número; não há medição de corrupção por município nem caso local imputado. A Prefeitura de Maringá tem um dos melhores índices de transparência do Paraná, e o site mostra esse dado.

"O site é político."

É apartidário: não tem candidato, partido nem financiamento político, e o alvo é o desenho federativo, que atravessa todos os governos desde 1988. Toda a metodologia, os parâmetros e as fontes estão publicados, e qualquer pessoa pode refazer as contas a partir dos arquivos CSV.

14. Histórico de alterações

  • 04/09/2026 (versão 2.3). Seção "Orgulho verificável" com a série do ITP (TCE-PR) desde 2019 e o Radar da Transparência (Atricon); nota e posição do IPC apresentadas separadamente; crédito de autoria no rodapé; páginas pré-renderizadas no build, para que buscadores e assistentes de IA (que não executam JavaScript) recebam o HTML completo; dados estruturados schema.org (WebSite, Dataset, FAQPage); arquivos abertos em /dados (CSV) e resumo para assistentes em /llms.txt; gráficos redesenhados na largura da tela (sem rolagem lateral no celular), com escala do eixo Y ajustada aos dados; nova imagem de compartilhamento.
  • 04/09/2026 (versão 2.2). Série histórica em reais de hoje pelo IPCA, com crescimento real; seção sobre corrupção com a faixa da FIESP aplicada ao PIB municipal e indicadores medidos (IPC, TCU, CGU, RBE, ITP do TCE-PR); variação real ao lado da nominal no comparativo; manifesto "por que este site existe"; tipo de fonte em cada equivalência; seção de críticas comuns; script de verificação do motor no CI.
  • 04/09/2026 (versão 2.1). Projeção anual passa a aplicar ao fechamento do ano anterior o crescimento observado no mesmo ponto do calendário (antes, extrapolação linear do último trecho, que subestimava dezembro); seção "2026 contra 2025" com curvas acumuladas, velocidade e marcos; equivalências com custos de referência; sala de imprensa com manchetes geradas por regras; exportação de todas as tabelas em CSV.
  • 04/09/2026 (versão 2). Contador passa a seguir os marcos publicados pelo Impostômetro em vez de uma projeção anual fixa; participação de Maringá calculada pelo PIB de 2023 (0,2542%) em vez de 0,26% estimado; retorno passa a ser medido pela execução orçamentária no SICONFI (30,4% em 2025) em vez de 18,76% estimado; população, IBPT, salário mínimo e preços de referência atualizados com fonte; séries históricas, recordes, boletim em PDF e relógio sincronizado com o servidor; site preparado para a virada de ano; equivalências ("o que o dinheiro compraria") refeitas com custos de referência de fontes públicas e de mercado, com data.
  • Janeiro/2026 (versão 1). Projeção anual de R$ 4,378 tri para o Brasil (10% sobre 2025) e participação de 0,26%; retorno de 18,76%.

15. Fontes

Série histórica completa, com PIB, participação e retorno por ano, na tabela da página inicial. Sensibilidade das principais hipóteses: participação ±4,1%; escopo da fonte nacional ±4%; 2 fechamentos aproximados na série do Impostômetro.