Metodologia
Como calculamos, o que assumimos e onde o método tem limites
Este documento é a referência para imprensa, entidades e cidadãos que queiram reproduzir ou contestar os números do Impostômetro Maringá. Cada parâmetro tem fonte pública e data de consulta.
1. Resumo
- Arrecadação nacional em tempo real: painel do Impostômetro (ACSP/IBPT). Usamos os marcos que ele publica e interpolamos entre eles.
- Parte de Maringá: participação da cidade no PIB do Brasil, 0,2542% em 2023 (IBGE/IPARDES). Hipótese: carga tributária proporcional à atividade econômica.
- Retorno: o que entra no orçamento da Prefeitura, pelo SICONFI: 30,4% do gerado em 2025. Gastos diretos da União e do Estado na cidade ficam fora.
- Verificação cruzada: a série oficial do Tesouro (carga tributária bruta) fica dentro de 4% do Impostômetro nos últimos anos.
- Valores nominais, sem correção pela inflação. Toda estimativa tem margem de erro; documentamos a ordem de grandeza dela em cada passo.
2. O que o Impostômetro mede
O Impostômetro é um painel mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Ele estima, em tempo real, o total de tributos (impostos, taxas e contribuições, incluindo multas, juros e correção) pagos pelos brasileiros às três esferas de governo desde 1º de janeiro. É uma estimativa construída sobre as arrecadações divulgadas pela Receita Federal, pelos estados e pelos municípios, projetada dia a dia; não é uma estatística oficial, mas é a única fonte nacional com atualização contínua, e por isso é a base do contador.
A estatística oficial mais próxima é a Carga Tributária Bruta do Governo Geral, publicada pelo Tesouro Nacional em metodologia internacional (GFSM 2014, sem FGTS e Sistema S). Ela sai uma vez por ano, com defasagem, e serve aqui como verificação cruzada:
| Ano | Impostômetro (fechamento) | Tesouro (carga bruta) | Diferença | % do PIB (Tesouro) |
|---|---|---|---|---|
| 2023 | R$ 3,06 tri* | R$ 3,31 tri | -7,6% | 30,26% |
| 2024 | R$ 3,60 tri | R$ 3,79 tri | -5,1% | 32,22% |
| 2025 | R$ 3,98 tri | R$ 4,13 tri | -3,6% | 32,40% |
* fechamento divulgado de forma aproximada pela ACSP. As duas séries têm escopos diferentes (o Impostômetro inclui multas e juros; o Tesouro segue o padrão do FMI), o que explica a diferença de poucos por cento.
Conclusão: o Impostômetro superestima ou subestima a carga oficial em poucos por cento, dependendo do ano. Para o contador, isso é uma incerteza da ordem de 3% a 4% no nível, que não afeta o ritmo relativo nem as comparações ano a ano feitas com a mesma fonte.
3. A parte de Maringá
Não existe estatística oficial de "tributos gerados em um município" que some as três esferas. A Receita Federal divulga arrecadação federal por município apenas de forma agregada e defasada; o Estado divulga o ICMS por município de origem; a Prefeitura divulga só os tributos próprios. Para somar tudo de forma comparável ano a ano, usamos o método padrão de rateio pela atividade econômica:
Tributos gerados em Maringá = Arrecadação nacional × (PIB de Maringá ÷ PIB do Brasil)
O PIB municipal é calculado pelo IBGE em parceria com o IPARDES e sai com dois anos de defasagem. O último disponível é 2023: R$ 27,82 bi, 5º PIB do Paraná e 53º do Brasil, contra R$ 10,94 tri do país. Anos posteriores usam a participação de 2023 até o IBGE divulgar o próximo PIB municipal.
| Ano | PIB Maringá | Crescimento nominal | PIB Brasil | Participação |
|---|---|---|---|---|
| 2010 | R$ 8,55 bi | — | R$ 3,89 tri | 0,2202% |
| 2011 | R$ 9,86 bi | +15,3% | R$ 4,38 tri | 0,2253% |
| 2012 | R$ 11,39 bi | +15,5% | R$ 4,81 tri | 0,2366% |
| 2013 | R$ 13,79 bi | +21,1% | R$ 5,33 tri | 0,2587% |
| 2014 | R$ 14,57 bi | +5,6% | R$ 5,78 tri | 0,2521% |
| 2015 | R$ 15,46 bi | +6,1% | R$ 6,00 tri | 0,2578% |
| 2016 | R$ 16,09 bi | +4,1% | R$ 6,27 tri | 0,2567% |
| 2017 | R$ 16,91 bi | +5,1% | R$ 6,59 tri | 0,2568% |
| 2018 | R$ 18,53 bi | +9,6% | R$ 7,00 tri | 0,2646% |
| 2019 | R$ 19,31 bi | +4,2% | R$ 7,39 tri | 0,2613% |
| 2020 | R$ 19,99 bi | +3,5% | R$ 7,61 tri | 0,2627% |
| 2021 | R$ 22,66 bi | +13,3% | R$ 9,01 tri | 0,2514% |
| 2022 | R$ 26,67 bi | +17,7% | R$ 10,08 tri | 0,2646% |
| 2023 | R$ 27,82 bi | +4,3% | R$ 10,94 tri | 0,2542% |
Por que não há 2024 e 2025: o IBGE calcula o PIB dos municípios com dois anos de defasagem, porque depende das contas regionais e de registros administrativos consolidados. O PIB de 2024 sai em dezembro de 2026 e o de 2025 em dezembro de 2027. Até lá, os anos sem PIB municipal usam a participação de 2023. Crescimento nominal, sem descontar a inflação.
Hipóteses e limites
- Carga proporcional ao PIB. Assumimos que a carga tributária efetiva em Maringá é igual à média nacional (32,4% do PIB em 2025). Cidades com mais serviços e comércio, como Maringá, tendem a ter carga por real de PIB diferente da de cidades industriais ou extrativas; não há dado municipal para corrigir isso.
- Incidência versus local de arrecadação. Parte dos tributos pagos por quem vive em Maringá é recolhida em outro lugar (IR retido pela matriz de uma empresa em São Paulo, ICMS de origem, IPI na fábrica), e o contrário também acontece. O rateio pelo PIB mede a atividade que gera a base tributária, não o caixa onde o tributo é pago.
- Defasagem. O PIB municipal de 2023 é aplicado a 2026. Nos últimos cinco anos com dado, a participação de Maringá variou entre 0,2514% e 0,2646%: usar o extremo em vez do último ano mudaria o contador em cerca de 4,1%.
4. Como o contador anda em tempo real
O painel do Impostômetro não publica uma taxa por segundo, mas divulga quando cruza marcos redondos, com data e hora. O contador interpola linearmente entre os marcos do ano e, depois do último marco, mantém o ritmo do trecho final. Quando a ACSP publica um novo marco, ele é incorporado e o contador se realinha. Marcos incorporados até 11/08/2026:
| Marco de 2026 | Instante (Brasília) | Fonte |
|---|---|---|
| R$ 1,00 tri | 27/03/2026, 12:17 | ACSP (CNN Brasil, 26/03/2026) |
| R$ 2,00 tri | 27/06/2026, 09:09 | ACSP, 24/06/2026 |
| R$ 2,50 tri | 11/08/2026, 12:00 (hora não divulgada) | ACSP (Diário do Poder, 10/08/2026) |
| Marco de 2025 | Instante (Brasília) | Fonte |
|---|---|---|
| R$ 1,00 tri | 30/03/2025, 12:00 (hora não divulgada) | ACSP (citado pela CNN Brasil em 26/03/2026) |
| R$ 2,00 tri | 03/07/2025, 12:00 (hora não divulgada) | ACSP, 24/06/2026 |
| R$ 2,50 tri | 20/08/2025, 10:00 | ACSP (Times Brasil, 20/08/2025) |
| R$ 3,98 tri | 31/12/2025, 23:59 | ACSP, 29/12/2025 (fechamento) |
Projeção do ano. Multiplicamos o fechamento de 2025 pelo crescimento observado até agora sobre o mesmo ponto do calendário: R$ 10,12 bi × (1 + 3,7%) = R$ 10,49 bi em Maringá (R$ 4,13 tri no Brasil). Esse método preserva a sazonalidade do ano anterior, em que dezembro pesa mais. A extrapolação linear do último trecho, usada só para o contador andar entre os marcos, daria R$ 10,37 bi e serve de piso, porque ignora a sazonalidade. O erro da projeção cai a cada marco incorporado e desaparece no fechamento.
Velocidade. O ritmo "de agora" é o do trecho entre os dois últimos marcos publicados. Para compará-lo com o ano anterior, usamos as mesmas datas do calendário (do último marco até hoje, um ano antes), e não o trecho de marcos que contém a data no ano anterior: esse trecho pode ser longo e incluir meses de sazonalidade diferente, como dezembro, o que distorceria a comparação.
Relógio. O valor é uma função da hora. Para não depender do relógio do aparelho do visitante, a página lê a hora do servidor (cabeçalho Date da resposta HTTP) ao carregar, ao voltar de segundo plano e a cada 15 minutos, e corrige a diferença. Todos os números da página derivam desse mesmo instante, por isso nunca ficam dessincronizados entre si.
Estado atual: último marco há 24 dias. Acima de 60 dias o site exibe um aviso no contador.
5. O que conta como retorno
Definimos retorno como o que entra no orçamento da Prefeitura de Maringá: tributos próprios (ISS, IPTU, ITBI, IRRF dos servidores, taxas e contribuição de iluminação) e transferências recebidas (FPM, cotas de ICMS e IPVA, repasses do SUS, FUNDEB, FNDE e convênios). Excluímos operações de crédito (empréstimos não são tributos) e receitas intraorçamentárias (movimentação interna). A fonte é a execução orçamentária publicada no SICONFI, do Tesouro Nacional:
| Ano | Receita realizada | Sem empréstimos e intra | Tributos gerados (Impostômetro) | Retorno |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | R$ 1,63 bi | R$ 1,59 bi | R$ 6,32 bi | 25,2% |
| 2019 | R$ 1,67 bi | R$ 1,67 bi | R$ 6,55 bi | 25,5% |
| 2020 | R$ 1,86 bi | R$ 1,86 bi | R$ 5,41 bi | 34,4% |
| 2021 | R$ 1,99 bi | R$ 1,99 bi | R$ 6,52 bi | 30,5% |
| 2022 | R$ 2,34 bi | R$ 2,34 bi | R$ 7,65 bi | 30,6% |
| 2023 | R$ 2,73 bi | R$ 2,73 bi | R$ 7,77 bi | 35,2% |
| 2024 | R$ 3,09 bi | R$ 2,85 bi | R$ 9,15 bi | 31,2% |
| 2025 | R$ 3,35 bi | R$ 3,07 bi | R$ 10,12 bi | 30,4% |
Orçamento (LOA) de 2026: R$ 3,58 bi (Lei Municipal 12.100/2025). O contador usa a proporção de 2025, último ano com execução completa.
Composição da receita em 2025
| Rubrica | Valor | % do gerado na cidade |
|---|---|---|
| ISS (Imposto sobre serviços) | R$ 536,34 mi | 5,30% |
| IPTU (Imposto predial e territorial urbano) | R$ 348,74 mi | 3,45% |
| ITBI (Imposto sobre transmissão de imóveis) | R$ 126,86 mi | 1,25% |
| IRRF (IR retido na fonte dos servidores municipais) | R$ 133,99 mi | 1,32% |
| Taxas e COSIP (Taxas municipais e contribuição de iluminação pública) | R$ 144,55 mi | 1,43% |
| SUS (União) (Repasses fundo a fundo para a saúde) | R$ 403,63 mi | 3,99% |
| FPM (Fundo de Participação dos Municípios (bruto)) | R$ 177,40 mi | 1,75% |
| FNDE e outros (União) (Salário-educação, PNAE, PNATE, FUNDEB complementação) | R$ 38,75 mi | 0,38% |
| ICMS (cota-parte) (Parcela do ICMS estadual devida ao município (bruta)) | R$ 276,93 mi | 2,74% |
| IPVA (cota-parte) (Metade do IPVA dos veículos de Maringá (bruta)) | R$ 204,74 mi | 2,02% |
| SUS e outros (Estado) (Repasses estaduais para saúde, IPI-exportação e outros) | R$ 62,36 mi | 0,62% |
| FUNDEB (Fundo da educação básica recebido) | R$ 266,69 mi | 2,64% |
Valores brutos do DCA Anexo I-C. FPM, ICMS e IPVA sofrem retenção de 20% para o FUNDEB, que volta na linha FUNDEB.
O que fica de fora, e por quê
A União e o Estado gastam diretamente em Maringá sem passar pelo orçamento municipal: aposentadorias, pensões e benefícios do INSS pagos a moradores; a Universidade Estadual de Maringá e o Hospital Universitário; folhas de servidores federais e estaduais (Justiça, polícias, universidades, agências); Bolsa Família e outros programas; rodovias e obras. Esses gastos são retorno real para a economia da cidade, mas não são "retorno ao município" no sentido orçamentário, que é o que conseguimos medir com fonte oficial. Por isso o site diz que a parcela restante fica com a União e o Estado, e não que é "perdida". Incluir uma estimativa dos gastos diretos é uma melhoria desejável, que depende de dados por município do INSS e dos Tesouros federal e estadual.
6. Por habitante e comparações
- Por habitante: total dividido pela população estimada pelo IBGE para 1º de julho de 2026 (432.635). É uma média aritmética; a carga individual real depende de renda e consumo e é regressiva: proporcionalmente, quem ganha menos paga mais em tributos sobre consumo.
- Dias de trabalho e parcela da renda: estudo anual do IBPT (2026: 150 dias, 41,10% da renda média, até 30/05/2026). É uma média nacional.
- Salário mínimo: R$ 1.621 em 2026, por decreto federal.
- Gasolina: preço médio da gasolina comum em Maringá no levantamento semanal da ANP (R$ 6,94/litro, semana de 23 a 29/08/2026).
- Carro popular: modelo 0 km mais barato do país, preço público da fabricante em 04/09/2026 (R$ 78,7 mil).
7. Equivalências: o que o dinheiro compraria
Para dar dimensão ao valor, o site o traduz em obras, serviços e salários (escala da cidade) e em despesas mensais de uma família. O objetivo é declaradamente de conscientização: mostrar o tamanho da carga em coisas concretas. As quantidades acompanham o contador em tempo real (acumulado do ano ou ano inteiro projetado; tudo o que é gerado ou só a parcela que fica com a União e o Estado). O que é fixo é o custo unitário de referência, com fonte pública ou de mercado e data, revisado uma vez por ano. São ordens de grandeza, não orçamentos: uma obra real tem terreno, projeto e custeio que a referência não captura.
| Item (escala da cidade) | Custo de referência | Fonte e data |
|---|---|---|
| Unidades Básicas de Saúde (UBS porte III, como a do Jardim São Clemente (790 m²)) | R$ 3,15 mi por unidade | Prefeitura de Maringá e tabela do Novo PAC Saúde, jul/2026 |
| Creches municipais (CMEI) (CMEI de 375 vagas, como o do Jardim Monte Rei (3.000 m²)) | R$ 13,30 mi por unidade | Prefeitura de Maringá (O Maringá), dez/2025 |
| km de recapeamento asfáltico (custo médio por km do programa de recape de 2026) | R$ 457,00 mil por km | Seinfra Maringá (Maringá Mais), mai/2026 |
| Ambulâncias do SAMU (unidade de suporte básico equipada) | R$ 323,04 mil por unidade | Pregão 90.105/2025 do Ministério da Saúde, ago/2026 |
| Ônibus urbanos novos (Euro 6, ar-condicionado e elevador para cadeirantes) | R$ 900,00 mil por unidade | Compra de Uberlândia (Diário do Transporte), ago/2026 |
| Salários anuais de professor (piso nacional do magistério 2026, 40 h, 13,33 salários, sem encargos) | R$ 68,41 mil por ano | Piso nacional 2026 (Senado), jan/2026 |
| Vagas em creche por um ano (valor aluno-ano do FUNDEB para creche pública integral no Paraná) | R$ 10,60 mil por vaga/ano | FUNDEB 2026, Portaria MEC/MF 14/2025, dez/2025 |
| Casas do Minha Casa Minha Vida (teto das faixas 1 e 2 para cidades do porte de Maringá) | R$ 270,00 mil por unidade | Conselho Curador do FGTS (Agência Brasil), nov/2025 |
| Carros 0 km (Renault Kwid, o modelo mais barato do país) | R$ 78,69 mil por unidade | Preço público da Renault, 04/09/2026 |
| Consultas médicas particulares (clínico geral, preço médio de mercado) | R$ 250,00 por consulta | Atend Já e CrowdCare, 2026 |
| Item (escala da família) | Custo de referência | Fonte e data |
|---|---|---|
| de cesta básica (cesta básica em Curitiba (Maringá não tem pesquisa própria)) | R$ 807,93 meses | DIEESE, jul/2026, ago/2026 |
| de plano de saúde (individual, enfermaria, adulto de 34 a 38 anos) | R$ 670,00 meses | Tabela estimada Unimed 2026 (Lifebis), jan/2026 |
| de escola particular (mensalidade média do ensino fundamental em Maringá) | R$ 1.264,00 meses | SchoolAdvisor, 2026 |
| de aluguel (apartamento de 2 quartos, padrão médio, em Maringá) | R$ 1.850,00 meses | Imobiliária Ikapuy, mai/2026 |
| de conta de luz (217 kWh/mês, tarifa da Copel com tributos) | R$ 220,00 meses | Copel/ANEEL (Gazeta do Povo), jun/2026 |
8. Corrupção e transparência: o que estimamos e o que medimos
Corrupção é uma indignação que atravessa partidos, e o site a trata como trata tudo o mais: com estimativa declarada, fonte e limite. A cifra-âncora é a do relatório da FIESP/DECOMTEC de 2010, a única estimativa brasileira sistemática que localizamos com documento: custo médio anual da corrupção para a economia entre 1,38% e 2,3% do PIB (R$ 41,5 bi a R$ 69,1 bi em valores de 2008). Aplicamos esses percentuais ao PIB de Maringá de 2023 (R$ 27,8 bi), distribuídos ao longo do ano, o que dá entre R$ 383,88 mi e R$ 639,80 mi por ano.
Limites, ditos com todas as letras
- É custo à economia, não dinheiro desviado. O estudo da FIESP estima a perda de produto por controle deficiente da corrupção, o que inclui investimento que deixa de acontecer. Não é o valor subtraído do caixa público.
- É nacional, aplicada proporcionalmente. Não há medição de corrupção por município. Nenhum caso local é imputado; a transparência da Prefeitura de Maringá está entre as melhores do Paraná (ITP 2025 do TCE-PR: 94,45%, selo Ouro), e transparência é o que permite fiscalizar.
- É de 2010, em percentual. Usar a proporção do PIB, e não o valor em reais de 2008, é o que mantém a estimativa aplicável; ainda assim é antiga, e se surgir estudo mais recente com metodologia publicada ele substituirá este.
- O que não usamos. "R$ 200 bilhões por ano", frequentemente atribuídos à ONU, vêm de uma declaração de 2015 sem documento localizável; "8% do PIB" do IBPT não bate com o valor em reais do mesmo texto. Ficaram de fora.
Ao lado da estimativa, o site mostra o que se mede de fato: o Índice de Percepção da Corrupção (Transparência Internacional), as condenações do TCU, os valores recuperados pela CGU em acordos de leniência e um estudo acadêmico de 2025 com coautoria da UEM sobre perdas nas cadeias produtivas, cada um com o que mede e a fonte.
Transparência da Prefeitura: o que o índice mede
A seção "Orgulho verificável" mostra o Índice de Transparência da Administração Pública (ITP), do TCE-PR, que avalia se o portal da Prefeitura publica o que a legislação exige (orçamento, licitações, contratos, folha, receitas) de forma acessível e atualizada. Maringá teve 94,45% em 2025 (selo Ouro), contra média de 79,83% das prefeituras do Paraná, e selo Diamante ou Ouro em todas as edições desde 2019. Os percentuais foram conferidos no relatório do TCE-PR; as posições no ranking vêm da imprensa e estão marcadas como tal. O índice mede transparência ativa: não mede corrupção nem qualidade do gasto, e o site não o usa para nenhuma dessas conclusões.
| Edição | ITP | Selo |
|---|---|---|
| 2019 | 85,37% | Ouro |
| 2020 | 87,63% | Ouro |
| 2021 | 94,72% | Ouro |
| 2022 | 100,00% | Diamante |
| 2023 | 95,03% | Diamante |
| 2024 | 98,41% | Diamante |
| 2025 | 94,45% | Ouro |
9. Manchetes para a imprensa
A sala de imprensa da página inicial e o boletim em PDF trazem manchetes sugeridas, cada uma com uma frase de apoio e a fonte. Elas são geradas por regras fixas a partir do mesmo retrato do instante que alimenta o contador: um molde de frase para cada fato (recorde recente, próximo recorde, acumulado, comparação com o ano anterior, projeção, ritmo, valor por habitante e por família, retorno ao orçamento municipal, equivalências, estudo do IBPT), preenchido com os números do momento. Não há texto gerado por inteligência artificial nem redação humana ao vivo: se o número muda, a manchete muda junto, e a frase de apoio diz de onde o número veio.
O boletim em PDF registra data e hora (horário de Brasília) e reúne manchetes, números-chave, distribuição, recordes, equivalências, histórico, método e fontes. O arquivo CSV traz os mesmos números em formato de planilha (separador ";", vírgula decimal), com a série histórica completa. Ao citar, use a frase sugerida em "Como citar"; ao comparar anos, lembre que os valores são nominais.
10. Recordes
Um "recorde" é registrado quando o acumulado do ano corrente ultrapassa o total de um ano inteiro anterior, todos calculados com a mesma fonte (fechamento do Impostômetro × participação de Maringá no ano). São comparações nominais: como a inflação faz a arrecadação em reais crescer quase todo ano, superar anos antigos é esperado; o dado informativo é a data em que isso acontece e como ela avança de um ano para o outro. Datas futuras assumem o ritmo do último trecho calibrado. Anos sem fechamento oficial entram com o total projetado, marcados como tal.
11. Virada de ano e manutenção
O site é perene: o ano fiscal vem da data atual, em horário de Brasília. Em 1º de janeiro o contador zera sozinho, o ano que terminou passa a ser o "ano anterior" das comparações e entra na lista de recordes (com total projetado até a ACSP divulgar o fechamento), e cada parâmetro é buscado pelo ano, com fallback para o último valor conhecido. Enquanto o novo ano não tem marcos publicados, o contador segue uma projeção de 10,56% sobre o ano anterior (o crescimento observado entre os dois últimos fechamentos) e exibe um aviso.
Rotina de manutenção, com os arquivos onde cada dado mora (roteiro completo em MANUTENCAO.md, no repositório):
- Quando a ACSP publicar um marco (R$ 1 tri, R$ 2 tri…), em geral a cada dois ou três meses: incluir data, hora e valor em
arrecadacao-nacional.ts. - Todo mês, após a divulgação do IBGE: índice IPCA do mês e acumulado em 12 meses (
ipca.ts,parametros.ts). - Em janeiro: fechamento do ano no Impostômetro; salário mínimo; orçamento (LOA) do ano; IPCA de dezembro.
- Em fevereiro: Índice de Percepção da Corrupção. Em março: receita realizada da Prefeitura no SICONFI e PIB do Brasil. Em abril: carga tributária bruta do Tesouro.
- Em maio ou junho: estudo do IBPT. No fim de agosto: estimativa de população do IBGE.
- Em dezembro: PIB dos Municípios do IBGE/IPARDES (dois anos de defasagem) e Índice de Transparência do TCE-PR.
- Uma vez por ano: custos das equivalências, preço do carro popular, indicadores de corrupção sem periodicidade fixa e reabertura de todos os links das fontes; a gasolina, a cada três ou quatro meses.
A validade de cada dado é conferida automaticamente: um script no repositório (npm run validade) sabe quando cada item vence e roda nos dias 1 e 15 de cada mês; se algo estiver vencido, abre um aviso para quem mantém o site. Além disso, o próprio contador exibe um aviso quando passam 60 dias sem marco novo. Toda atualização é registrada no histórico de alterações abaixo.
12. Revisão econômica conceitual
Pontos que revisamos ao construir esta versão, e como cada um aparece no site:
- Tributos, não só impostos. "Impostômetro" é o nome do painel, mas o que ele soma são tributos: impostos, taxas e contribuições (INSS, PIS/Cofins, CSLL). Por isso o site fala em "tributos gerados".
- Carga bruta versus líquida. A carga tributária bruta soma tudo que é arrecadado. A carga líquida desconta transferências de volta às famílias (aposentadorias, benefícios). O contador mede a bruta, que é o que o Impostômetro estima; a discussão do retorno é onde a diferença entre as duas aparece.
- Federalismo fiscal. A Constituição concentra a arrecadação na União e redistribui por fundos (FPM, FPE) e cotas (ICMS, IPVA) com critérios que não seguem a origem do tributo. Medir o retorno pelo orçamento municipal é a forma auditável de mostrar esse desenho; ele não diz, sozinho, se o desenho é justo.
- "Perdido" não é um conceito econômico. A parcela que não entra no orçamento municipal financia bens públicos nacionais e estaduais, parte deles em Maringá. Trocamos o vocabulário de perda pelo de destino.
- Valores nominais e reais. Comparações entre anos em reais correntes misturam crescimento real e inflação. Por isso a série histórica tem a opção "em reais de jul/2026", que multiplica cada ano pelo índice IPCA de jul/2026 dividido pelo índice de dezembro daquele ano (IBGE, Sidra 1737), e o comparativo mostra a variação real descontado o IPCA acumulado em 12 meses. É uma aproximação: um valor anual é um fluxo ao longo do ano, e o índice de dezembro o converte como se fosse todo de dezembro.
- Origem versus incidência. Tributos sobre consumo são pagos, em última instância, por quem consome, onde quer que a empresa recolha. O rateio pelo PIB aproxima a base econômica, não o caixa; é a hipótese mais neutra disponível sem microdados.
- Uma fonte por número. Cada valor exibido tem uma única fonte, citada com data. Onde a fonte é uma estimativa (Impostômetro, IBPT), o site diz que é estimativa.
13. Críticas comuns e respostas
As objeções mais prováveis a este site, e o que respondemos a cada uma. Se a sua não está aqui, a metodologia acima tem os números para você mesmo testar.
"Esse número é real ou é chute?"
É uma estimativa com método declarado, não uma medição: a única fonte nacional em tempo real (o Impostômetro) multiplicada pela participação de Maringá no PIB do Brasil. Não existe estatística oficial que some os tributos das três esferas por município; se existisse, usaríamos. A verificação cruzada com a série oficial do Tesouro fica dentro de poucos por cento, e a sensibilidade à hipótese da participação é de cerca de 4,1%.
"Por que não usar a arrecadação da Receita Federal por município?"
A Receita divulga a arrecadação federal por município com defasagem e pelo domicílio fiscal de quem recolhe (a matriz da empresa), não pelo lugar onde a atividade acontece; o Estado divulga o ICMS; a Prefeitura, os tributos próprios. Somar bases tão diferentes não é comparável ano a ano. O rateio pela atividade econômica (PIB) é o método padrão para estimar carga tributária por território.
"Dizer que 70% 'ficam com a União e o Estado' engana: esse dinheiro volta em INSS, universidade, rodovias."
Parte volta, e o site diz isso em todas as seções onde o número aparece. Por isso não usamos a palavra "perdido" e medimos o que dá para medir com fonte oficial: o que entra no orçamento da Prefeitura, pelo SICONFI. Uma estimativa do gasto direto federal e estadual na cidade é a melhoria que mais desejamos; depende de dados por município do INSS e dos Tesouros.
"Crescer 3,7% é cair em termos reais, com inflação de 4,4%."
Correto, e o site mostra os dois números lado a lado: a variação nominal e a variação real descontado o IPCA acumulado em 12 meses (4,44% em jul/2026, IBGE). A série histórica tem a opção "em reais de hoje". Todos os valores em reais são nominais, e cada seção diz isso.
"O Impostômetro é de uma associação empresarial; tem viés."
A ACSP é uma entidade empresarial, e o Impostômetro é uma estimativa dela com o IBPT. Por isso confrontamos a série com a estatística oficial do Tesouro todo ano e publicamos a diferença. Para o ritmo em tempo real não há alternativa oficial; se surgir, ela passa a ser a fonte.
"A projeção muda toda hora."
Muda a cada marco publicado, e diz qual é o método: fechamento do ano anterior vezes o crescimento observado até o momento. A tabela de marcos mostra quantos dias cada um antecipou o ano anterior, que é um dado mais robusto do que a projeção.
"A participação de Maringá é de 2023; está velha."
É a última divulgada pelo IBGE, que publica o PIB municipal com dois anos de defasagem. Nos últimos cinco anos com dado, ela variou entre 0,2514% e 0,2646%. Quando o próximo PIB sair, o site passa a usá-lo automaticamente.
"As equivalências são propaganda; uma creche não custa isso."
Cada custo é de uma obra recente da própria Prefeitura, de uma tabela federal, de um instituto de pesquisa ou de um preço de mercado, com fonte, tipo de fonte e data ao lado do número. São ordens de grandeza; o CSV permite trocar a referência por outra e refazer a conta.
"Cada maringaense pagou R$ 16.270? Eu não paguei isso."
É a média aritmética do total pela população, e a maior parte dos tributos brasileiros está embutida nos preços (ICMS, PIS, Cofins, IPI) ou é recolhida por empresas em nome de todos. Quem ganha menos paga proporcionalmente mais em consumo; quem ganha mais paga mais em valor absoluto. O IBPT estima que 41,1% da renda média vai para tributos.
"Vocês estão acusando a Prefeitura de corrupção?"
Não. A seção sobre corrupção aplica uma estimativa nacional (FIESP, em percentual do PIB) à economia da cidade e diz isso em cada número; não há medição de corrupção por município nem caso local imputado. A Prefeitura de Maringá tem um dos melhores índices de transparência do Paraná, e o site mostra esse dado.
"O site é político."
É apartidário: não tem candidato, partido nem financiamento político, e o alvo é o desenho federativo, que atravessa todos os governos desde 1988. Toda a metodologia, os parâmetros e as fontes estão publicados, e qualquer pessoa pode refazer as contas a partir dos arquivos CSV.
14. Histórico de alterações
- 04/09/2026 (versão 2.3). Seção "Orgulho verificável" com a série do ITP (TCE-PR) desde 2019 e o Radar da Transparência (Atricon); nota e posição do IPC apresentadas separadamente; crédito de autoria no rodapé; páginas pré-renderizadas no build, para que buscadores e assistentes de IA (que não executam JavaScript) recebam o HTML completo; dados estruturados schema.org (WebSite, Dataset, FAQPage); arquivos abertos em /dados (CSV) e resumo para assistentes em /llms.txt; gráficos redesenhados na largura da tela (sem rolagem lateral no celular), com escala do eixo Y ajustada aos dados; nova imagem de compartilhamento.
- 04/09/2026 (versão 2.2). Série histórica em reais de hoje pelo IPCA, com crescimento real; seção sobre corrupção com a faixa da FIESP aplicada ao PIB municipal e indicadores medidos (IPC, TCU, CGU, RBE, ITP do TCE-PR); variação real ao lado da nominal no comparativo; manifesto "por que este site existe"; tipo de fonte em cada equivalência; seção de críticas comuns; script de verificação do motor no CI.
- 04/09/2026 (versão 2.1). Projeção anual passa a aplicar ao fechamento do ano anterior o crescimento observado no mesmo ponto do calendário (antes, extrapolação linear do último trecho, que subestimava dezembro); seção "2026 contra 2025" com curvas acumuladas, velocidade e marcos; equivalências com custos de referência; sala de imprensa com manchetes geradas por regras; exportação de todas as tabelas em CSV.
- 04/09/2026 (versão 2). Contador passa a seguir os marcos publicados pelo Impostômetro em vez de uma projeção anual fixa; participação de Maringá calculada pelo PIB de 2023 (0,2542%) em vez de 0,26% estimado; retorno passa a ser medido pela execução orçamentária no SICONFI (30,4% em 2025) em vez de 18,76% estimado; população, IBPT, salário mínimo e preços de referência atualizados com fonte; séries históricas, recordes, boletim em PDF e relógio sincronizado com o servidor; site preparado para a virada de ano; equivalências ("o que o dinheiro compraria") refeitas com custos de referência de fontes públicas e de mercado, com data.
- Janeiro/2026 (versão 1). Projeção anual de R$ 4,378 tri para o Brasil (10% sobre 2025) e participação de 0,26%; retorno de 18,76%.
15. Fontes
- Impostômetro — Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e IBPT, consultado em 04/09/2026. Única fonte de arrecadação nacional em tempo real. Fechamentos anuais e marcos de 2025 e 2026 publicados pela ACSP.
- Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo Geral 2025 — Tesouro Nacional, consultado em 04/09/2026. Série oficial 2010–2025 em R$ correntes e % do PIB, metodologia GFSM 2014 (sem FGTS e Sistema S). Boletim de 10/04/2026.
- PIB dos Municípios — IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), consultado em 04/09/2026. Série 2010–2023 do PIB de Maringá a preços correntes. Planilha pib_municipial_2017-2023.xlsx (dez/2025).
- PIB dos Municípios 2023 — IBGE, consultado em 04/09/2026. Sidra, tabela 5938. Divulgado em 19/12/2025.
- Contas Nacionais: PIB a preços correntes — IBGE, consultado em 04/09/2026. Sidra, tabela 6784 (2010–2023) e tabela 1846, soma dos trimestres (2024–2025).
- IPCA acumulado em 12 meses — IBGE, consultado em 04/09/2026. Sidra, tabela 1737, variável 2265. Julho/2026: 4,44%. Usado só para indicar a variação real das comparações nominais.
- Estimativas da População 2026 — IBGE, consultado em 04/09/2026. Estimativa para 01/07/2026, publicada em 28/08/2026. Censo 2022: 409.657 habitantes.
- Dias trabalhados para pagar tributos 2026 — IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), consultado em 04/09/2026.
- Decreto nº 12.797, de 23/12/2025 (salário mínimo 2026) — Presidência da República, consultado em 04/09/2026.
- Levantamento de Preços de Combustíveis, semana 23–29/08/2026 — ANP, consultado em 04/09/2026.
- Relatório Corrupção: custos econômicos e propostas de combate — FIESP/DECOMTEC, consultado em 04/09/2026. Custo médio anual da corrupção para a economia entre 1,38% e 2,3% do PIB (R$ 41,5 bi a R$ 69,1 bi, valores de 2008). Março/2010.
- Índice de Percepção da Corrupção 2025 — Transparência Internacional Brasil, consultado em 04/09/2026. Brasil: 35 pontos, 107º de 182 países (publicado em 10/02/2026).
- Relatório de Gestão 2025 — Tribunal de Contas da União, consultado em 04/09/2026. 3.228 responsáveis julgados e R$ 10,41 bi em condenações (débitos e multas).
- Índice de Transparência da Administração Pública (ITP) 2025 — Tribunal de Contas do Estado do Paraná, consultado em 04/09/2026. Prefeitura de Maringá: 94,45% (Ouro) em 2025; 98,41% (Diamante) em 2024. Média das prefeituras do PR: 79,83%.
- Finanças do Brasil (FINBRA) e RREO da Prefeitura de Maringá — Tesouro Nacional (SICONFI), consultado em 04/09/2026.
Série histórica completa, com PIB, participação e retorno por ano, na tabela da página inicial. Sensibilidade das principais hipóteses: participação ±4,1%; escopo da fonte nacional ±4%; 2 fechamentos aproximados na série do Impostômetro.